falar com os filhos

 
parents-talking-divorce-to-Todos os anos, cerca de um terço das pessoas diagnosticadas com cancro da mama têm crianças em idade escolar. Decidir quando e o quanto se deve dizer aos filhos é uma preocupação real para muitas famílias. Mesmo que as crianças não compreendam totalmente a situação, sabemos que ficam menos ansiosas ou receosas se elas souberem o que se está a passar.
Muitos pais evitam contar aos seus filhos com medo de os preocupar ou de ter que responder a perguntas difíceis, mas as crianças conseguem detectar as mudanças nas suas expressões faciais, na sua voz ou na forma como trata os outros. As crianças sabem quando algo está a perturbar ou a preocupar os pais.
 
Se uma criança se sentir de fora, pode começar a pensar que ela fez algo de errado ou pode criar uma história imaginária que poderá ser muito pior do que a realidade. Muitas crianças irão esconder as suas próprias preocupações ou terão medo de o fazer, e poderão isolar-se nelas mesmas. O medo e a incerteza poderão manifestar-se no seu comportamento, nos seus trabalhos escolares ou nas suas amizades.
As crianças precisam de sentir que podem confiar nos seus pais, e ser honesto ajuda-os nisso. Guardar tudo para si pode tornar-se cansativo, justamente na altura em que precisa de toda a sua energia para se sentir melhor. Ler artigo completo (pdf)

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Continue a falar

Contar aos seus filhos que tem cancro da mama, responder às dúvidas que tenham e lidar com as respostas iniciais deles poderá ser só o início. Haverá altos e baixos antes do final do tratamento e de que se sinta melhor e, ao longo do tempo, é importante que se mantenha sempre disponível para conversar com eles. 
De tempos a tempos haverá novidades a contar-lhes sobre o seu tratamento e resultados, de modo que eles provavelmente terão novas perguntas a fazer-lhe. Muitas vezes essa perguntas vão tomá-la de surpresa, possivelmente enquanto cozinha ou vê televisão e não quando se sente preparada para lhes responder.
 
Poderá encorajar os seus filhos mais crescidos a falar com os seus médicos e enfermeiros quando for a uma consulta. Isto poderá ajudá-los a entender que muito está a ser feito para que melhore e que os hospitais podem ser sítios amigáveis e acolhedores.
Se está a fazer radioterapia ou quimioterapia, talvez queira avisar antecipadamente os seus filhos de que poderá vir a sentir-se doente com o tratamento, mal-humorada ou cansada e que, nessas alturas, irá precisar da ajuda deles. O facto de poderem ajudar irá fazer com que os seus filhos mais pequenos se sintam importantes, por isso pode dar-lhes uma ou outra tarefa regular. As crianças mais crescidas poderão ajudar e ser cooperantes de tempos a tempos, mas é importante não esperar que eles lidem com muitas responsabilidades.
 
Quando procurar ajuda
 
Se já existem problemas de comportamento em relação aos seus filhos ou o seu bem-estar emocional, estes poderão vir a notar-se mais em momentos de maior ansiedade, o que poderá tornar o seu comportamento ainda mais difícil de gerir – principalmente quando mais precisa de se concentrar na sua própria saúde e bem-estar.
Tente compreender o significado do comportamento que eles possam ter em vez de lhe reagir. Se notar que o seu filho tem períodos longos em que se sente em baixo, se afasta ou não demonstra interesse no que se passa à volta dele, fale com o seu médico, equipa de tratamento ou psicólogo escolar. Se necessário, encaminhe o seu filho para um psicólogo ou serviço de psicologia, onde poderão aconselhar-vos ou dar-vos orientações.
 
Quando o tratamento terminar
 
Quando o tratamento terminar, é compreensível que os seus filhos a queiram “de volta ao normal” o mais rapidamente possível. Eles não só querem ter a certeza de que já está melhor e que não ficará doente outra vez, mas também querem voltar às suas vidas do costume. Tal poderá não acontecer imediatamente em toda a família, principalmente nas primeiras semanas ou meses. As crianças poderão achar isto difícil de compreender, especialmente se acharem que foram compreensivos e dedicados durante o tratamento.
Poderá ter de explicar-lhes que ainda poderá demorar algumas semanas ou mesmo meses até melhorar.
 Eles poderão também ter dúvidas remanescentes sobre a sua recuperação, e as suas consultas regulares poderão ser tão preocupantes para eles como para si. Ao mesmo tempo, se algum conhecido deles foi diagnosticado com cancro novamente, ou a mãe de alguém morreu, isso poderá fazer com que as preocupações voltem. Deve continuar a ser o mais honesta possível, sem fazer promessas que poderá não vir a cumprir.
 
Cada fase do seu tratamento e recuperação suscitará diferentes sentimentos, diferentes ansiedades e diferentes altos e baixos. Mas, se puder falar honesta e abertamente com a sua família a cada passo, irá descobrir que a família pode ser uma grande fonte de amor e apoio.
 
Menores de seis anos

O que dizer a crianças muito pequenas sobre o cancro da mama irá depender das palavras que normalmente usa para falar da mama ou de doenças.

Não irá querer assustá-los ou sobrecarregá-los com demasiada informação, mas poderá decidir dizer-lhes que a sua mama tem um dói-dói ou que está dorido e que vai ter que ir para o hospital para melhorar.
Juntamente com as conversas, poderá querer mostrar-lhes o que está a acontecer através de bonecos ou ursinhos de peluche ou fazer desenhos. Livros de histórias também poderão ajudar a explicar as coisas e responder a perguntas. É sempre boa ideia ler o livro a sós antes de o partilhar com os seus filhos, para se certificar de que está de acordo com as circunstâncias.
 
A maior parte das crianças pequenas não gosta de mudanças na sua rotina diária. Quando tiver de ir para o hospital, eles devem saber que voltará em breve para junto deles e que eles não ficarão sozinhos ou com alguém que não conhecem. Se tiver de ficar no hospital por vários dias, poderão visitá-la quando se sentir melhor. Será confortante para eles que vejam onde está e que saibam que quer vê-los.
 
Com crianças muito pequenas, uma das coisas mais importantes é dizer-lhes claramente desde o início que não têm culpa da sua doença. As crianças mais pequenas por vezes culpam-se pelo que acontece aos seus pais. Poderão também pensar que a doença é contagiosa como a varicela ou uma gripe, por isso é melhor explicar-lhes que não é assim. Poderá ajudar se falar com o seu psicólogo ou enfermeiro da escola no caso das crianças estarem no infantário ou na pré-escola.

7-12 anos

As crianças em idade escolar estão mais cientes de como a sua doença os afecta, e poderão ficar mais ansiosos ou ressentidos. A rotina é tão importante para eles como para as crianças mais pequenas e eles irão querer saber se os detalhes da sua (deles) vida diária não irão mudar drasticamente.
Um bom ponto de partida com crianças destas idades poderá ser dizer-lhes o que aconteceu e o que você e os médicos irão fazer a esse respeito. Poderá ser uma boa ajuda se tentar saber o quanto eles sabem sobre o cancro, para que possa corrigir algumas ideias pré-concebidas que eles possam ter, como por exemplo, que toda a gente que tem cancro morre.
 
A maior parte das crianças estuda o corpo humano na escola primária e terão algumas ideias básicas sobre as células e as diferentes partes do corpo. Poderá querer saber algumas informações junto com eles ou ler-lhes uma história apropriada. Se puder, tente falar com eles sobre como se sente e encorajá-los a também falar sobre o que estejam a sentir. Se for fazer quimioterapia, o melhor é preparar os seus filhos para o facto de que poderá perder o seu cabelo.
 
Após o diagnóstico, falar com os professores ou com o enfermeiro escolar irá ajudá-los a preparar-se para responder às perguntas ou dar apoio extra aos seus filhos.
 
Adolescentes
 
A maior parte dos adolescentes já terá ouvido falar de cancro e poderão saber – ou achar que sabem – algo a respeito. Eles ou os amigos deles poderão, também, conhecer pessoas que morreram de cancro, pelo que terá que descobrir o que eles sabem sobre o cancro da mama.
 
Os adolescentes poderão querer saber mais pormenores sobre o cancro da mama e o seu tratamento, mas também poderão querer saber por eles próprios. Você poderá indicar-lhes fontes confiáveis onde poderão procurar mais informações, tais como folhetos sobre o cancro da mama ou o site da internet.
 
Alguns adolescentes poderão parecer despreocupados com toda a situação e, como alguns adultos, tentarem fingir que não está a acontecer. Você poderá sentir-se magoada com isso, mas eles poderão lidar melhor com a situação se ignorarem o seu cancro da mama e continuarem com a vida como se estivesse tudo normal. Outros poderão ser mais emotivos. Embora possam não querer falar sobre o seu cancro da mama a princípio, você talvez queira dar algumas informações a alguém que seja próximo deles, como um/a avô/ó ou amigo da família, para ouvir e responder a perguntas se for necessário.
 
Preocupações específicas de adolescentes e puberdade
 
As jovens adolescentes poderão ficar preocupadas sobre se também irão ter cancro da mama, principalmente se lhes disseram que é hereditário. De facto, mais de 90 por cento dos casos de cancro da mama não estão relacionados com o historial familiar e você poderá querer tranquilizar a sua filha com esta informação.
 
Os rapazes desta idade poderão achar embaraçoso falar sobre o cancro da mama. Numa altura em que estão a descobrir as mamas das raparigas ou modelos de revistas, os rapazes poderão ficar perturbados com o que se está a passar, mas incapazes de falar sobre o assunto. Poderá ser mais fácil se for o pai a falar com os filhos, nesta situação, ou outro familiar ou amigo do sexo masculino a falar com eles.
Uma coisa que todos os adolescentes têm em comum é que facilmente ficam envergonhados – principalmente pelos seus pais/mães. As aparências são muito importantes para eles e poderão precisar que os tranquilize sobre o facto de que, quando completamente vestida, manterá o seu aspecto de antes. Se for fazer quimioterapia, será melhor falar com eles sobre a possibilidade de vir a perder o seu cabelo e de que este voltará a crescer depois.

Conteúdos cedidos pelo Breast Cancer Care

 

 
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